Retrofit impulsiona mercado imobiliário e coloca iluminação no centro dos projetos arquitetônicos  

Retrofit impulsiona mercado imobiliário e coloca iluminação no centro dos projetos arquitetônicos

 

Processo de modernização une eficiência energética, sustentabilidade e melhor experiência do usuário; tendências reforçam o protagonismo da iluminação na transformação dos edifícios.

 O retrofit atravessa um período de forte expansão, em âmbito global, impulsionado pelas necessidades de atualização das edificações urbanas, metas de eficiência energética e novas demandas de uso dos espaços corporativos.

 Segundo relatório da BCC Research, o mercado global de retrofit energético em edifícios comerciais e públicos foi estimado em US$ 134,7 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 191,3 bilhões até 2029. Estudos do atual cenário do setor também indicam que edifícios comerciais concentram aproximadamente 45% da demanda global por projetos de modernização, refletindo a pressão crescente por eficiência, modernização de ativos e redução de emissões no ambiente corporativo.

Dentro desse cenário, a iluminação passou a ocupar um papel estratégico. Mais do que um complemento técnico, ela vem sendo tratada como ferramenta essencial para eficiência operacional, valorização imobiliária, conforto ambiental e experiência do usuário.

Para a arquiteta Thais Ruiz, embaixadora da Expolux, a evolução tecnológica foi determinante para o protagonismo atual da iluminação nos projetos. “A iluminação LED por si só já resolveu muita coisa em relação à eficiência energética, tendo em vista que o consumo foi bastante reduzido em comparação às tecnologias anteriores”, afirma.

Os ganhos também aparecem no conforto ambiental. A redução da emissão de calor das luminárias transformou a experiência dos usuários em ambientes corporativos e comerciais, especialmente nas construções mais antigas.

Importante destacar que o impacto da iluminação vai além da funcionalidade. Nos retrofits mais recentes, ela passou a atuar diretamente na construção da identidade arquitetônica dos espaços. Fachadas iluminadas, valorização de texturas e criação de cenários visuais ganharam relevância, sobretudo em edifícios comerciais que buscam reposicionamento no mercado.

A percepção de valor dos imóveis também está diretamente ligada ao projeto luminotécnico. Thais ressalta que conforto visual e impacto emocional se tornaram fatores decisivos na experiência dos usuários. “A luz é capaz de levantar uma arquitetura, assim como tem capacidade de derrubar um projeto de alto nível”, afirma. “Uma boa iluminação consegue garantir encantamentos desde o primeiro contato visual”, acrescenta a especialista.

 

A conexão com a construção civil

A integração entre arquitetura, materiais e iluminação também acompanha a evolução da indústria da construção civil. A engenheira Iza Valadão, especialista em tecnologias de materiais e sustentabilidade, destaca que os avanços tecnológicos vêm tornando os projetos de retrofit mais eficientes e sustentáveis.

“Hoje, temos materiais mais leves, eficientes e com melhor desempenho térmico, acústico e energético. Isso reduz a carga estrutural, acelera a obra, diminui a geração de resíduos e melhora o desempenho de edifícios como um todo”, afirma. A engenheira também pontua que a revitalização de construções deixou de ser apenas uma escolha estética e se tornou uma decisão estratégica para o mercado imobiliário.

Nesse sentido, a escolha dos materiais também influencia diretamente a eficiência da iluminação. Características como textura, cor, acabamento superficial e índice de reflexão interferem no comportamento da luz dentro dos ambientes.

“Um material mal especificado pode exigir mais pontos de iluminação, aumentar o consumo energético e comprometer o conforto visual. Já uma escolha inteligente consegue potencializar a distribuição da iluminação, valorizar a arquitetura e gerar eficiência energética ao mesmo tempo”, diz Iza.

Ainda em termos de tendências, além de uma maior conexão entre materiais modernos da indústria da construção com os recursos luminotécnicos, visando eficiência, qualidade e sustentabilidade, a qualidade de vida das pessoas segue no centro do debate.  Um dos exemplos, é a iluminação centrada no ser humano e a integração entre tecnologia e bem-estar. O movimento de iluminação human centric, que ajusta a intensidade e a temperatura de cor ao ritmo biológico natural, representa uma das principais influências do setor, menciona Thais.

A arquiteta também aponta uma mudança estética importante nos projetos contemporâneos. “Cada vez mais queremos o efeito da iluminação, mas sem peças grandes que possam comprometer o resultado”, finaliza.

As transformações do setor e as novas tecnologias aplicadas aos projetos estarão entre os temas discutidos na Expolux, feira de iluminação referência na América Latina, que reúne profissionais da arquitetura, engenharia, lighting designers e representantes da indústria e do poder público para debater tendências, inovação e soluções voltadas ao futuro das cidades e edificações.

O evento, que acontecerá de 15 a 18 de setembro, reforçará o papel da luz como elemento central da modernização urbana. Em um mercado cada vez mais atento à conectividade, à eficiência e ao bem-estar, ela deixa de ser apenas um recurso técnico para assumir protagonismo.