Iluminação pública inteligente vai além de eficiência energética

Iluminação pública inteligente vai além de eficiência energética

Modernização promove melhoria na segurança e inovação na gestão urbana, com transformações sensíveis em todo o ecossistema digital das cidades

A iluminação pública, anteriormente focada apenas em iluminar ruas e avenidas, agora desempenha um papel estratégico na estruturação das cidades inteligentes. Por meio da modernização dos parques de iluminação e da adoção de tecnologias avançadas, o setor vem se consolidando como ponto de partida para iniciativas de conectividade, segurança e sustentabilidade urbana.

Conforme dados divulgados pelo Jornal do Interior, existem atualmente 143 contratos de parcerias público-privadas (PPPs) em andamento, abrangendo 173 municípios brasileiros e beneficiando aproximadamente 52 milhões de cidadãos. Além disso, os investimentos somam R$ 32 bilhões e sinalizam a importância crescente do segmento como infraestrutura crítica na digitalização das cidades.

Em artigo publicado no portal SmartCitiesWorld, o diretor de Negócios e Sucesso do Cliente da Paradox Engineering, Carlo Bernocco, lembra que, nas últimas duas décadas, a primeira geração de iluminação inteligente visou alcançar a máxima eficiência energética, substituindo os postes de iluminação tradicionais por LEDs e integrando sistemas de controle remoto. Segundo ele, essa fase inicial ofereceu claros benefícios econômicos, reduzindo o consumo de energia e os custos de manutenção, além de contribuir para as metas de sustentabilidade, diminuindo as emissões de gases de efeito estufa.

“Atualmente, estamos na segunda geração, onde o papel da iluminação inteligente transcende a mera economia. Sistemas cuidadosamente projetados são agora reconhecidos pelo seu impacto na qualidade de vida, na segurança pública e na atratividade urbana, com a iluminação contribuindo para a transformação de espaços públicos, o embelezamento de parques e monumentos e até mesmo para a prevenção da criminalidade e a promoção da segurança. E a dimensão dessa transição é evidente: a Berg Insight estima que os atuais 33 milhões de postes de iluminação inteligentes em todo o mundo chegarão a 100 milhões até o final da década”, complementa o articulista.

Pontos de atenção

Espera-se que soluções modernas ofereçam alta capacidade de gerenciamento com manutenção mínima de dispositivos e redes, interoperabilidade perfeita para facilitar a integração de diversas tecnologias e cibersegurança robusta para garantir proteção contra ameaças.

“À medida que a iluminação inteligente evolui para uma plataforma de rede multifuncional, ela deve incorporar medidas robustas de cibersegurança para proteção contra potenciais ameaças que possam comprometer não apenas as luzes, mas também dados urbanos críticos e outros serviços públicos”, defende Carlo Bernocco.

A multifuncionalidade da iluminação pública vem abarcando ampla rede de serviços urbanos, tais como gestão de estacionamento, videovigilância e controle de tráfego, e monitoramento ambiental e da qualidade do ar – numa abordagem que, além de econômica, consegue ser mais eficiente se comparada com a implantação de redes separadas para cada aplicação.

Para Bernocco, “é claro que a interoperabilidade representa tanto uma oportunidade quanto um desafio. A verdadeira abertura exige o funcionamento perfeito de todos os componentes, o que depende do respeito às normas e protocolos técnicos. As cidades devem selecionar parceiros experientes que sigam rigorosamente os padrões da indústria, pois o custo da descoberta tardia de incompatibilidades – incluindo despesas adicionais, redução do retorno sobre o investimento e comprometimento de projetos futuros – pode ser muito significativo”.

Cenário brasileiro

De acordo com o ranking 2025 da plataforma Connected Smart Cities, referência nacional no trabalho de promoção de cidades sustentáveis, resilientes e inovadoras, Vitória, capital do Espírito Santo, é a cidade mais inteligente do Brasil, seguida por Florianópolis (SC), Niterói (RJ), São Paulo (SP) e Curitiba (PR). 

Nestas cidades, projetos de iluminação pública inteligentes já fazem parte do planejamento urbano. É o caso, por exemplo, de Curitiba, cuja prefeitura iniciou, em 2023, uma PPP com a ENGIE, com o objetivo de não só modernizar a iluminação pública, mas também de reduzir as emissões de carbono pela metade até 2030, por meio da economia de mais de 55% do consumo de energia dos pontos de iluminação.

Para a CEO da GHM Solutions – Assessoria de Marketing, Juliana Ulian, idealizadora do Congresso Paulista de Iluminação e Cidades do Futuro (CPIIC), “a iluminação pública inteligente é uma infraestrutura estratégica nas cidades do futuro. Mas municípios de pequeno e médio porte enfrentam barreiras técnicas, jurídicas e financeiras, com modelos consorciados regionais se mostrando viáveis para superar essas dificuldades”.

Segundo Juliana, um exemplo é o modelo desenvolvido na Unicamp para cidades com menos de 50 mil habitantes, que utiliza indicadores padronizados e boas práticas de governança para atrair investimentos e reduzir custos. Um levantamento da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Iluminação Pública (ABCIP) revelou que 828 municípios estão atualmente em processo de estruturação de projetos de modernização.

De acordo com a especialista, a formação de consórcios intermunicipais, aliada a uma gestão profissionalizada e ao uso da nova Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), viabiliza a expansão desses projetos mesmo em localidades com recursos limitados.

A digitalização da iluminação pública exige não apenas investimentos significativos em infraestrutura, mas também diretrizes bem definidas. A Nota Técnica nº 001/2025 do Ministério das Cidades atua como guia orientador, propondo metas, indicadores de desempenho (KPIs) e padrões de governança para os municípios.

“As políticas públicas precisam garantir que os projetos de iluminação sejam estruturados com base em resultados reais e adaptados à realidade local. Planos municipais de transformação digital serão essenciais para garantir a eficácia e o alcance dessas soluções”, diz Juliana.

Matéria por: ENGIE Brasil